CRAVO TOCADO POR GUSTAV LEONHARDT COM MARCAS SECRETAS
2007-08-22
Este método de marcação e identificação de peças e objectos de valor é inovador em Portugal e exclusivo de uma empresa sedeada em Évora, a Digitrace, que o está a aplicar, pela primeira vez, em instrumentos musicais.
  
 Aproveitando os Encontros do Espírito Santo, dedicados à música antiga e a decorrer na cidade alentejana até dia 31, a empresa está, desde terça-feira e também hoje, a marcar instrumentos de músicos que participam no evento.
  
 A tecnologia tem gerado a "curiosidade" entre os músicos, que, sozinhos ou em grupo, vão dando uma "espreitadela" à sala, na universidade, onde os responsáveis da Digitrace Portugal trabalham.
  
 Algum cepticismo também surge "à baila", com muitas perguntas sobre se a tinta invisível, os micro-chips e as micro-etiquetas podem alterar as qualidades acústicas dos instrumentos, mas as dúvidas são prontamente dissipadas pela empresa, que garante que o método é "completamente inócuo".
  
 A "prova de fogo" acontece hoje à noite, quando Gustav Leonhardt, "Mestre" da música antiga, der um recital de cravo na Biblioteca Pública, num instrumento da Universidade de Évora marcado esta tarde.
  
 "O Gustav Leonhardt vai ser o primeiro a experimentar o cravo, já com as marcações, até para demonstrar que este método de identificação não altera a sua sonoridade", realçou à agência Lusa João Ludovice, da Universidade de Évora e organizador dos Encontros do Espírito Santo.
  
 O instrumento, no qual os elementos da Digitrace vão aplicando, com paciência e minúcia, as marcas "secretas", é uma réplica, feita em Paris, em 2002, de um antigo cravo francoflamengo.
  
 "Costumamos emprestar o cravo para concertos fora da universidade e, do ponto de vista do seguro, em caso de roubo ou na hipótese de ser danificado, podemos assim identificá-lo rapidamente", acrescentou João Ludovice.
  
 Também David Policarpo, da Digitrace, considera que, depois de um mestre como Gustav Leonhardt tocar neste cravo, ficará "demonstrado que o método não tem implicações nas qualidades sonoras" dos instrumentos musicais.
  
 "Já temos uma grande prática com móveis antigos e outras obras de arte, mas é a primeira vez que trabalhamos com instrumentos musicais. É um desafio enfrentar esta nova vertente que é a acústica, além da estética", disse.
  
 O método assenta na colocação, nas zonas mais escondidas dos objectos, de códigos com tinta invisível, micro-chips e micro-etiquetas que identificam o proprietário.
  
 É elaborado um dossier fotográfico do objecto e, numa ficha em papel, são também colocados os elementos distintivos e características técnicas da peça e descritos os tipos e locais das marcações aplicadas.
  
 Esses elementos ficam na posse do proprietário, de preferência "guardados num local diferente daquele onde foi colocado o objecto", alertou Joaquim Policarpo, também da DigiTrace, e servem para disponibilizar à Polícia Judiciária, assim como à polícia europeia, em caso de roubo.
  
 "A nível mundial, a seguir à droga e às armas, o terceiro tráfico ilícito é o de obras de arte e é importante que os proprietários tenham esta segurança adicional de poder provar que uma determinada peça roubada e recuperada é sua", argumentou.
  
 Os instrumentos musicais "também são apetecíveis para os ladrões", assegurou Massimo Mazzeo, director musical dos encontros que decorrem em Évora e que também viu um instrumento seu, uma viola de arco, marcado pela Digitrace.
  
 "Sinto-me mais tranquilo porque já me roubaram um instrumento no passado e nunca mais o encontrei, apesar de ter ido a leilões de objectos recuperados", afiançou.
  
 Destacando que os músicos vivem, muitas vezes, "completamente absorvidos pela arte que fazem, num mundo paralelo", sem fazerem seguros dos instrumentos, Massimo Mazzeo sublinhou que a demonstração deste método pode ajudá-los a "estar mais ao dia com a tecnologia".
  
 Fonte: LUSA
©2007 Digitrace-Portugal | Desenvolvido por: policarpo-design
HOMEPAGE