Grécia quer impedir leilão de obras de arte
2007-01-23
O ministro da Cultura grego, George Voulgarakis, afirmou aos jornalistas que, antes de levar adiante o leilão marcado para 24 e 25 de Janeiro, a casa de leilões precisa declarar como obteve os cerca de 850 artefactos de prata, pinturas e objectos de Fabergé que datam do século XVIII.

Caso a origem dos objectos não seja especificada, a Christie’s poderá enfrentar um processo judicial. «Não foi divulgada a origem exacta dos objectos, nem a forma como chegaram à Christies para serem leiloados», afirmou o ministro. «Por isso pedi que sejam removidos do leilão enquanto tudo não for esclarecido. Quem participar do leilão precisa saber que vamos exercer nossos direitos legais».

A Christies anunciou que a colecção do rei George I, que reinou na Grécia de 1863 a 1913, vem do palácio de verão de Tatoi, perto de Atenas. Estima-se que alguns dos objectos, entregues ao ex-rei Constantino em 1991, possam ser arrematados por até 250 mil libras (cerca de 380 mil euros).

A Grécia tem feito esforços enormes para recuperar obras de arte roubadas que estão em várias partes do mundo. Mas a disputa actual também ressalta a relação intranquila do país com sua ex-família real, que permanece impopular mais de 30 anos depois de a monarquia ter sido abolida por referendo nacional.

A maior parte da imprensa grega descreveu o leilão como sendo uma venda das jóias de Estado feita por Constantino. De acordo com o site do ex-rei, os artigos eram propriedade pessoal de membros da família real grega e não se encontram mais em sua posse.

Depois de cooperar brevemente com a ditadura militar de 1967-1974, Constantino fugiu da Grécia. Ele vive no exílio há décadas. Já travou prolongadas batalhas na Justiça para recuperar alguns de seus bens. Em 1991, o então governo conservador o autorizou a exportar os objectos contidos no palácio de Tatoi, sob a supervisão de autoridades gregas.

O ministro Voulgarakis disse que, embora a Christies tenha apresentado uma descrição detalhada dos itens que pretende leiloar, não revelou como chegaram a suas mãos. 
  
«Está claro que as normas internas de uma casa de leilões não podem estar acima das leis e convenções internacionais», disse ele. «Coisas desse tipo não acontecem em países civilizados

Autoridades do Ministério da Cultura disseram que a Grécia enviou à Christies uma carta de protesto, avisando que tomarão medidas legais se os objectos não foram retirados do leilão. A Christies disse que divulgará um comunicado sobre o assunto ainda hoje.

«Alguns dos objectos têm o selo do Estado grego sobre eles. Precisamos saber de onde vieram», disse um funcionário. «Estamos a enviar uma mensagem a qualquer pessoa que queira vender objectos de nosso património nacional: terá que nos enfrentar
 
Fonte: Reuters/SOL
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