Verdadeiro ou falso? Provavelmente falso. A opinião é de três académicos da Universidade de Leipzig, em Hamburgo, e refere-se a alguns dos mais valiosos tesouros atribuídos a Miguel Ângelo, alguns dos quais pertencentes às colecções da Royal Collection, do British Museum e do Ashmolean de Oxford. O estudo agora revelado por aquela universidade de Hamburgo levanta dúvidas quanto à legitimidade de muitos desenhos de Miguel Ângelo expostos no Reino Unido e que se encontram entre os cerca de 40 por cento de falsos que os peritos acreditam estar espalhados pelo mundo. Os académicos argumentam que muitos dos desenhos que circulam mundialmente com a assinatura de Miguel Ângelo terão sido queimados pelo próprio artista e, como tal, não podem ser verdadeiros. Segundo a notícia ontem divulgada pelo jornal britânico The Times, na base dos cinco volumes que sustentam esta teoria está um documento recentemente descoberto que revela que terão sido poucos os desenhos a sobreviver ao artista. O estudo - que irá ser publicado pela Taschen a 19 de Novembro, no Reino Unido, com o título Michelangelo: Complete Works -, levanta dúvidas sobre uma série de obras pertencentes ao espólio da Royal Collection, como é o caso de um dos estudos, em desenho, para A Ascensão de Cristo. "Muitos estudiosos tentam atribuir uma enorme quantidade de desenhos a Miguel Ângelo", disse ao The Times Frank Zöllner professor de arte Moderna e Renascentista da Universidade de Leipzig, acrescentando que essas pessoas que acreditam nessa larga produção ou têm interesses no mercado ou são curadores em colecções públicas com muitas obras de Miguel Ângelo. As reacções dos responsáveis pelas colecções ou pelos museus em causa não se fizeram esperar. Foi o caso de Thimothy Wilson, do Ashmolean Museum, que declarou que aquela universidade-museu estimula o "debate inteligente e informado" sobre todas obras de arte que tem sob sua responsabilidade. Fonte: DN |