P.J. apreende pintura falsa de Aurélia de Sousa
2008-10-24
Uma pintura com a assinatura, supostamente falsa, de Aurélia de Sousa foi apreendida, na segunda-feira, pela Brigada de Obras de Arte da Polícia Judiciária do Porto. A obra iria ser exposta para venda numa leiloeira da cidade de Lisboa, pelo valor de 3 500 euros, informou a PJ, que prossegue investigações "no sentido de apurar os contornos quanto à autoria da possível falsificação e de circuitos comerciais percorridos".
  
 O DN sabe que há uns anos houve um surto de pinturas falsas da mesma artista plástica mas, segundo a directoria do Porto, já há muito que tal não acontecia. A obra agora apreendida, ainda sem qualquer assinatura, já teria estado colocada para venda numa outra leiloeira, mas na cidade do Porto, pelo valor bem mais baixo de 50 euros.
  
 Delfim Torres, coordenador da investigação criminal, disse ao DN que até ao momento tudo indicia que nenhum dos leiloeiros tinha conhecimento da falsificação.
  
 Ainda não está apurado se a obra pictórica apreendida foi falsificada na totalidade ou se terá sido apenas a assinatura. "Apesar de ser um tema querido da autora [uma pintura naturalista, uma paisagem com uma figura feminina num espaço rural, temas que foram desenvolvidos por Aurélia de Sousa], não há nenhuma obra conhecida idêntica, temos que apurar mais em pormenor", explicou Delfim Torres, acrescentando que um dos próximos passos é tentar determinar a autoria da falsificação.
  
 "Sabemos onde aparece, onde esteve, terá sido nesse intervalo que foi falsificada. A obra em si já terá alguma antiguidade mas a assinatura é recente", conclui o coordenador de investigação criminal.
  
 Uma estética própria

Filha de emigrantes no Brasil e no Chile, Aurélia de Sousa (1866-1922) nasceu em Valparaíso, no Chile, mas a família instalou-se no Porto quando tinha três anos. Estudou na Academia de Belas Artes do Porto e frequentou cursos em Paris. No contexto do Naturalismo português, a artista demarcou-se por uma estética bastante individualizada, distanciando-se do padrão naturalista através dos auto-retratos, onde os especialistas dizem evidenciar uma plástica e poética próprias, num processo de indagação pessoal.
  
 Fonte: DN - Joana de Belém (www.dn.pt)
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