O Tribunal de Ponta Delgada, nos Açores, lê hoje o acórdão do caso que envolve um ourives acusado de receptação de dois castiçais em prata do século XVIII, roubados do interior de uma igreja de Ponta Delgada.
O ourives, de 38 anos, é criador de objectos de arte em ouro e prata, sendo também responsável pela manutenção do Tesouro do Senhor Santo Cristo dos Milagres, do Convento da Esperança, em Ponta Delgada.
Este tesouro, considerado de grande valor patrimonial e histórico-religioso, é constituído por centenas de objectos em prata e ouro.
O caso remonta a Outubro de 2008, quando um homem roubou dois castiçais do interior da Igreja de São Pedro, que depois vendeu ao ourives, que é proprietário de um estabelecimento comercial que se dedica à compra e venda de objectos de ourivesaria e arte para fundir.
Segundo a acusação, o homem vendeu os castiçais ao ourives por 298 euros, apesar do seu valor estar avaliado em cerca de 16 mil euros.
Nesse sentido, a acusação alega que o ourives, que é avaliador oficial da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, tentou obter para si vantagem patrimonial, já que, devido à sua profissão e características dos objectos, deveria saber que tinham sido obtidos através de furto.
Durante o julgamento, que começou a 30 de Março, o ourives garantiu não se ter apercebido que se tratava de castiçais de arte sacra e negou ter proposto ao autor do roubo a compra de outras peças do género.
Quanto ao segundo arguido neste processo, que está acusado de furto qualificado, confessou o roubo e a venda dos objectos ao ourives.
Perante os juízes, o arguido explicou que "inventou" na altura da venda que os castiçais eram "uma herança".
A partir de: Correio dos Açores |