Peças de colecção transformadas em troféus de guerra chegaram aos nossos dias sem registo de proveniência ou proprietário a quem as restituir. É esse sentimento de orfandade o pano de fundo das duas exposições que, esta semana, foram inauguradas no Museu de Israel, em Jerusalém. Uma - Looking for Owners: Custody, Research and Restitution of Art Stolen in France during World War II - reunindo meia centena de obras roubadas em França pelas tropas de Hitler e mais tarde restituídas; outra - Orphaned Art: Looted Art from the Holocaust in the Israel Museum - figurando idêntico número de obras sem proveniência conhecida, mantidas sob custódia do Museu de Israel. Patente até 3 de Junho, tal como a exposição que a complementa, Looking for Owners reúne criações de grandes nomes da arte europeia - Cézanne, Manet, Degas, Chagall, Delacroix, Courbet, Monet, Schiele, entre eles -, numa selecção de 53 das cerca de duas mil obras que, não tendo sido restituídas aos seus proprietários, possivelmente mortos no Holocausto, continuam à guarda dos museus de França. Sendo também um retrato do trabalho que vem sendo desenvolvido para encontrar os seus descendentes. Para que esta exposição fosse possível, relata o New York Times, Israel teve de actualizar os seus mecanismos legais, de modo a prevenir que o acervo fosse confiscado: legislação aprovada em 2007 estabelece que, perante exposições temporárias desta natureza, disputas de propriedade apenas poderão ocorrer no país de origem do respectivo acervo. Organizada, pelo lado francês, pelos ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Cultura, Looking for Owners será apresentada em Paris, entre Junho e Setembro próximos, no Museu de Arte e de História do Judaísmo. Fonte: DN, por Maria João Pinto |